terça-feira, 28 de junho de 2011

Que sociedade queremos formar ?

Como bem fundamentou Hanna Arendt, (1906-1975) em “A Condição Humana”, o capitalismo criou uma sociedade operária. Não sendo mais suficiente para atender as exigências modernas, percebeu que esta sociedade de semianalfabetos, com pouca escolaridade, tornou-se um entrave aos interesses deste mesmo capitalismo, hoje de especulação financeira, de base tecnológica de produção e de concorrência mundial. Senão vejamos: para que um pais como o Brasil entre com força na voraz competição capitalista mundial, ele precisa de uma boa infraestrutura material (estradas, portos, transportes etc.). Um bom sistema tributário que desonere a produção e o comércio, e uma legislação que iniba os gastos com mão de obra ( salários diretos e indiretos, assistência previdenciária, etc.) isso associado a uma imprensa comprometida com os interesses deste capitalismo,  sindicatos desmobilizados e fechando, com um povo pouco instruído, para evitar assim, contestações anti-capitalistas.
Mas, paradoxalmente, é emergencial ao capitalismo moderno brasileiro,  que a mão de obra operária se qualifique tecnicamente um pouco mais para atender as novas exigências de concorrência global. E para isso o empresariado brasileiro quer que o operariado saia do nível de semianalfabeto e passe para o nível de analfabeto funcional ou de escolarização.
Ocorre que deste modo o poder de alfabetizar está nas mãos das escolas e professores, sobretudo as públicas, que atendem a mais de 86% dos jovens e, no processo de alfabetização poderá se dar o processo de conscientização contra-ideológica-capitalista dos pretendidos futuros operários.  Então o que fazer? Emergencialmente o empresariado através do chamado sistema “S” (SENAI, SENAC, SESC etc.) montou ele próprio “escolas” formadoras de mão de obra barata, com base em ensino técnico-funcional, uma espécie de capacitação emergencial para atender seus interesses imediatos de formação técnica de mão de obra.
Em seguida, passou a interferir nos governos mais diretamente, com “parcerias” de gestão empresarial para escolas, (cursos de gestão empresarial para as Diretores, etc.), em alguns casos patrocinam atividades nas escolas, como a Rede Globo faz, e, até liberam verbas, como fazem alguns bancos. Em troca, exigem que os governos (financiados por eles) e as escolas se comprometam com a melhoria no ensino de Português e Matemática.
Aqui, é preciso uma atenção maior! Por que, Português e Matemática e não em todas as áreas como Geografia, História, Química, Filosofia, Sociologia? Acaso a educação se resume somente a essas duas disciplinas? Acaso o aluno não precisa da História para formar um senso crítico, social, político e transformar inclusive as condições histórico-dialéticas da sua condição política e de cidadania? Como formar um cidadão sem concepção histórica? Como formar um cidadão, com consciência ecológica, ambiental e conhecedor de sua nação e de suas mazelas, sem a Geografia? Como formar um cidadão que valoriza a vida, as espécies, a natureza, o planeta, sem a Química e a Biologia? Como formar o ser Humano íntegro, sociável, capaz de pensar criticamente, refletir, avaliar, julgar, identificar e se defender das ideologias que o alienam e o escravizam? Como alcançar a autonomia intelectual de sujeito livre para decidir e escolher com critério ético e correto para si e para a humanidade sem a Filosofia e a Sociologia? Então, por que governantes e empresários querem financiar exclusivamente o ensino de Português e Matemática e não o desenvolvimento Educacional na sua totalidade? - A consciência é a descoberta de si mesmo, condição para a descoberta de todo o resto,
Primeiro por que, este capitalismo entende ser capaz de controlar a aplicação destes dois saberes, no dito mercado de trabalho, conduzindo sua aplicação para os fins determinados por ele. Segundo, por que para o capitalismo – do tipo brasileiro, basta que o jovem operário saiba redigir um memorando ou ler e compreender as instruções técnicas dos manuais e apostilas para operar as novas máquinas e, calcular o troco no balcão. Um operário, jovem, acrítico, sem leitura social, política e consciência de seus direitos, mas, com competência para entender um pequeno parágrafo técnico e fazer as quatro operações básicas é o suficiente e adequado aos interesses de massificação e doutrinação que o capitalismo moderno precisa.
Resta a nós professores comprometidos com nossa causa e honestos com o princípio da Educação verdadeira nos perguntarmos: como devemos agir diante deste novo ataque à educação? Que tipo de sociedade queremos ajudar a formar?
Westerley Santos
Prof.Filosofia - 22/05/10.
TEMAS : Política, Capitalismo, Educação
Este artigo e muitos outros sobre Filosofia, Política e Educação em:
http://sites.google.com/site/filosofiapopular

segunda-feira, 14 de março de 2011

Bolsonaro e o FUNDEB

Neste princípio do mês de maio de 2019 a mídia está noticiando que a equipe econômica do governo Bolsonaro cortou 47% das verbas do FUNDEB. Você sabe o que é e como funciona o FUNDEB?

O Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica é formado por 26 fundos estaduais e mais 1 fundo no Distrito Federal. O fundo é formado por uma cesta com percentuais de aproximadamente vinte impostos arrecadados pelas Unidades Federativas e pelos Municípios e mais uma complementação da União.

O corte anunciado é justamente nesta complementação da União que atualmente significa 10% do total alocado no FUNDEB pelas Unidades Federativas. Cada fundo, em cada Unidade da Federação é tratado em contabilidade separada, por causa disso o Valor Aluno é diferente em cada Unidade da Federação refletindo exatamente a capacidade arrecadadora de cada uma.

O dinheiro do FUNDEB está protegido de ingerências políticas pois, após arrecadado os impostos a percentagem do FUNDEB é depositada diretamente numa conta especial e é desta conta que Estados e Municípios estão autorizados a sacar mensalmente uma quantia mensal para custear a Educação Básica. A quantia mensal é calculada para cada Unidade Federativa com base nos impostos arrecadados e na quantidade de alunos matriculados no ano anterior.

Portanto, o corte anunciado será aplicado APENAS nos 10% que atualmente a União complementa na composição do FUNDEB.

José Antônio da Conceição

Iniciando

Educação... Educação... Esta palavra não sai da minha cabeça. Parece até que minha cabeça é uma grande piscina, na qual a Educação entrou, se molhou toda, e não consegue encontrar uma forma de sair. Por mais que eu tente... ou que ela tente... sei lá. Todo texto que inicio, lá está a palavrinha mágica saltitando dentro da minha cabeça como se pedisse para que eu a escrevesse no título, no tema, no papel, na tela, no editor de texto, em todo lugar.
A palavra Educação passou a me acompanhar como um animalzinho de estimação. Mas qual Educação? Quem é, o que é essa coisa chamada Educação que tanto me preocupa?